Caminhe em direção ao centro de Dublin e a primeira coisa que você vê é uma agulha de aço de 120 metros apontando para o céu. Os locais a chamam de Spire. Veja como ela foi parar ali.
O Spire tem 3 metros de largura na base e afina para 15 centímetros no topo. Os 10 metros de baixo são altamente polidos, então em dia claro a rua e as pessoas que passam por ali são refletidas de volta. Acima disso o aço fica mais opaco, e à noite os LEDs no topo iluminam o céu da cidade.
O topo balança com vento forte, até 1,5 metro em condições extremas. Se você estiver embaixo quando isso acontecer, fique tranquilo. Estruturas altas e finas se mexem; até postes de luz se mexem.
Antes do Spire havia uma coluna
Por mais de 150 anos a O'Connell Street teve outro monumento: o Nelson Pillar, com pedra fundamental lançada em 1808, projetado pelo escultor irlandês Thomas Kirk. Em março de 1966 uma bomba o reduziu a escombros. O local ficou vazio por trinta e sete anos.
A primeira proposta para substituí-lo veio nos anos 1970: um monumento a Pádraig Pearse, líder da Revolta da Páscoa de 1916, orçado em £150 mil e pensado para ser mais alto que o GPO ao lado, onde Pearse lutou. O plano não foi adiante.
O Pillar Project
Em 1988, ano em que Dublin celebrou seu milênio, a cidade tentou de novo. O Pillar Project juntou artistas e arquitetos para desenhar um substituto. Entre as ideias estavam um "Millennium Arch" com chama permanente no topo, uma versão dublinense do Arco do Triunfo, e uma estátua de James Joyce, escolhido por ser uma figura que ninguém da política, da religião ou do exército poderia reivindicar como sua. Nenhum dos projetos saiu do papel.
Em 1998 a cidade abriu o concurso para o mundo. O edital pedia "ênfase vertical e estrutura elegante, à altura da qualidade e escala da O'Connell Street." Chegaram 205 propostas. A finalíssima reuniu três: dois escritórios na Inglaterra e um em Dublin. O vencedor foi o Ian Ritchie Architects, de Londres.
Construindo a coisa
A obra deveria terminar em 2000. Brigas de planejamento e um caso na Alta Corte empurraram tudo para frente. A primeira seção subiu em 18 de dezembro de 2002; as outras vieram em seis pedaços. A última foi colocada no lugar em um dia frio de janeiro de 2003, com milhares assistindo da O'Connell Street.
Dois detalhes que costumam surpreender as pessoas: o Spire também tem nome oficial em irlandês, An Túr Solais ("a torre de luz"), e apesar do aço polido ele não se limpa sozinho. Uma lavagem a cada dezoito meses. A primeira custou cerca de €120 mil.
Por que funciona
O Spire não está tentando homenagear ninguém. Não tem general no topo, nem político, nem santo. Esse é o ponto. É um marco para a própria cidade: tempo presente, deliberadamente sem complicação, apontando para cima. Caminhe pela O'Connell Street no fim da tarde e o aço pega o céu. Depois que escurece, acende. É basicamente isso. E de algum jeito é o suficiente.
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